My Favorite Movies


  1. vszerman
  2. Vítor

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1
Magnolia 1999,  R)
Magnolia
Sou a pessoa mais suspeita do mundo pra falar de "Magnólia", já que é um dos meus filmes preferidos - talvez O preferido.

O PT Anderson joga o tempo inteiro com o contraste acaso/destino de uma forma brilhante. Acho foda a forma como as histórias de cada personagem vão se ajustando e interferindo umas nas outras.

Ah, e o elenco... E as pistas...
2
My Own Private Idaho 1991,  R)
My Own Private Idaho
Acho o Mike (R. Phoenix) um dos personagens mais tristes que já vi num filme. Ele é um cara emotivo trancafiado dentro de uma timidez, da sua bizarra narcolepsia, do determinismo do mundo externo e de uma absoluta incapacidade de se comunicar. Quando ele tenta transpor essas barreiras, falha.

Tudo isso é retratado com uma frieza desoladora pelo Gus Van Sant.

O filme também me marcou como a primeira vez que tive raiva do Keanu Reeves. Mas, dessa vez, foi só do personagem.
3
Mulholland Drive 2001,  R)
4
Paris, Texas 1983,  R)
Paris, Texas
"Paris, Texas" é um filme de encher os olhos. O filme tem um lirismo absurdo, sem cair na armadilha de soar demasiadamente pretensioso e chato. O filme é pretensioso, claro, mas não decepciona em nada.

Há todos os tipos de referências e metáforas no filme, algumas demonstradas por diálogos bem freudianos e outras por takes criativos do tipo "uma imagem vale mais que mil palavras".

O tema do filme é desenvolvido de forma riquíssima, com uma atuação perfeita do H. D. Stanton, o protagonista à procura de sua identidade. Essa busca vai pontuando o filme e a recuperação da memória desse personagem vai envolvendo o espectador, à medida que ele vai se humanizando e, conseqüentemente, se tornando mais complexo e interessante.

A parte final, com a redenção dos personagens, traz algumas das cenas mais lindas, emocionantes e marcantes do cinema.
5
Trainspotting 1996,  R)
Trainspotting
Um ou outro pode até não gostar de "Trainspotting", mas uma coisa é inegável: o filme é um ícone absoluto da década de 90. O Danny Boyle dá continuidade a um retrato da juventude britânica dos anos 90 iniciado em "Cova Rasa".

Dessa vez, com o sarcasmo, o individualismo e o humor negro já devidamente instalados, o diretor avança pelo universo pop, mesclando imagens quase videoclípticas com outras bem reais e pesadas. A mistura da trilha sonora perfeita com o roteiro marcou época e rendeu um punhado de seqüências históricas.

Outro trunfo do filme é criar uma enorme empatia entre o público e personagens anti-heróicos, como Mark Renton, a consagração do Ewan McGregor.

Por último e não menos importante, o filme não cai nem por um segundo na perigosa tentação de retratar a questão das drogas de forma panfletária e careta. Imperdível.
6
Natural Born Killers 1994,  R)
7
Brokeback Mountain 2005,  R)
Brokeback Mountain
O Ang Lee cria um cenário épico e intocável desde o começo do filme. E deixa o roteiro ir fluindo com pouca interferência. A sensação de que a história não pode ser evitada é inevitável. Espera-se, a todo momento, que algum acontecimento surpreendente aja em prol daquele romance impossível, mas isso nunca chega a acontecer. Resta a quem assiste simplesmente ir se conformando com o destino infeliz dos personagens. E não há um deles que tenha uma sorte diferente. Apesar da aridez da direção, fica complicado não se envolver com o drama narrado. Então, mesmo pessoas que jamais se imaginariam torcendo por um casal gay acabam por sentir um vazio profundo e se tornam solidárias aos dois protagonistas. O filme vai nocauteando várias vítimas, desde as instituições mais caretas da cultura norte-americana até o sentimento mais íntimo que temos dentro de nós a respeito do amor. Algumas perguntas não saem da cabeça... Vale a pena? O amor tudo pode? E claro: por quê?
8
Taxi Driver 1976,  R)
Taxi Driver
Meu filme preferido do Scorsese. Nada em "Taxi Driver" é despropositado. Nem mesmo a "paranóia vaporeto-paradoxal" representada pelo DeNiro. O Scorsese retrata a sociedade americana como um macro-organismo doente. O mais curioso e brilhante é que, isoladamente, as partes desse inconsciente coletivo não têm a menor noção de sua contribuição nociva nesse processo maior de degradação, tornando todos um exército de anti-heróis.
9
Pulp Fiction 1994,  R)
10
Drugstore Cowboy 1989,  R)
11
Live Flesh (Carne trémula) 1997,  R)
12
Dogville 2003,  R)
13
Great Expectations 1998,  R)
14
Dancer in the Dark 2000,  R)
Dancer in the Dark
O filme é estruturalmente inusitado, com aquela mistura de filtros, a narrativa com mistura de cantorias e dramas... E nada é à toa.

A escolha do elenco também não poderia ser mais acertada: a Björk parece ter nascido Selma, e a Catherine Deneuve comove como amiga (e parceira num dueto) da protagonista.

O teor do filme é ainda mais instigante: é quase uma tortura resistir até o fim do filme. Nem Hitler ficaria insensível. Dá pra chorar trocentas vezes... Depois de tanto chorar, ando achando que, se eu fosse um personagem do filme, maltrataria a Selma.
15
Boogie Nights 1997,  R)
16
Fight Club 1999,  R)
17
Y Tu Mamá También 2001,  R)
Y Tu Mamá También
É a versão latina e masculina de "Thelma & Louise".
18
The Bridges of Madison County 1995,  PG-13)
19
Reservoir Dogs 1992,  R)
20
The Hours 2002,  PG-13)
The Hours
Lindo e devastadoramente triste.

Tem o melhor elenco da história do cinema recente e, conseqüentemente, atuações perfeitas.

A história é ótima, o ritmo e a edição também.
21
Schindler's List 1993,  R)
22
Before Sunset 2004,  R)
23
Before Sunrise 1995,  R)
24
Stand by Me 1986,  R)
Stand by Me
Pode ser clichê, mas é um retrato perfeito do fim da inocência da infância. E dá saudade...
25
GoodFellas 1990,  R)
26
Blue Velvet 1986,  R)
Blue Velvet
"Don't you fucking look at me!"

Os diálogos são absurdos e memoráveis.

O filme é totalmente bizarro, na melhor maneira possível, e mostra que a diferença entre pessoas loucas e sãs é menor do que se imagina.
27
El Ángel Exterminador (The Exterminating Angel) 1962,  Unrated)
28
Spider 2002,  R)
29
Shallow Grave 1994,  R)
30
Memento 2000,  R)
Memento
Depois de "Pulp Fiction" e "Short Cuts", parecia difícil inovar na questão da cronologia e da narrativa dum filme, mas o filme faz isso de forma espetacular. E não é só forma; o conteúdo é excelente. E tem o Guy Pierce todo desamparado.
31
In the Name of the Father 1993,  R)
32
The Godfather 1972,  R)
33
The Godfather, Part II 1974,  R)
34
The Godfather, Part III 1990,  R)
35
Wings of Desire 1987,  PG-13)
36
The End of the Affair 1999,  R)
37
Amores Perros 2000,  R)
38
Breaking the Waves 1996,  R)
Breaking the Waves
Imperdível para quem gostou de sofrer com "Dançando no Escuro" e "Dogville".

A vítima aqui é a Emily Watson, que é torturada durante todo o filme. A degradação dela ultrapassa todos os limites do suportável. Dá tanta agonia, que o espectador passa a ter raiva de toda aquela passividade e da hipocrisia dos outros personagens.
39
American Beauty 1999,  R)
40
21 Grams 2003,  R)
41
The Age of Innocence 1993,  PG)
The Age of Innocence
O Scorsese nunca foi tão pouco Scorsese, apesar de manter a excelente qualidade.

O Daniel Day-Lewis mostra porque é um dos meus atores preferidos.
42
My Beautiful Laundrette 1985,  R)
43
C.R.A.Z.Y. (Crazy) 2005,  R)
C.R.A.Z.Y. (Crazy)
Tudo no filme é muito acertado, desde a parte mais técnica até o roteiro, que é cheio de excelentes sacadas, passando pelo elenco impecável. Apesar de ser um filme com uma temática gay, não há nada gratuito ou panfletário no filme. O filme acompanha o protagonista Zach desde sua infância até o começo de sua vida adulta, sempre enfocando a relação dele com sua grande e multifacetada família. É impressionante o trabalho do menino que interpreta o protagonista quando criança. Sem cair em qualquer estereótipo de "criança-bichinha", o menino interpreta, com as devidas sutilezas, a realidade de uma criança que desde sempre se percebe diferente das demais. São retratadas suas dúvidas, sua solidão, seus medos e seu sentimento de rejeição da própria identidade afetiva e sexual. Não há como não se envolver com a história de Zach e seus pais: a forma como seu pai não o compreende e como ele tenta, em vão, se adequar aos sonhos do pai; e a proteção por sua mãe, ao percebê-lo diferente das demais crianças. Na adolescência e na juventude, os esboços da homossexualidade de Zach começam a se concretizar... Tudo isso ocorre em meio a uma trilha sonora incrível, bem 70's, que rende momentos memoráveis. Um filme "temático", mas com mil outras qualidades. Sem contar que a história de Zach acaba levando o espectador (gay, né) a fazer um grande flashback da sua vida. É um dos melhores filmes que vi nos últimos tempos.
44
Breakfast at Tiffany's 1961,  PG)
45
E.T. The Extra-Terrestrial 1982,  PG)
46
Plata quemada (Burnt Money) 2000,  R)
47
The Lord of the Rings: The Return of the King 2003,  PG-13)
48
The Lord of the Rings: The Two Towers 2002,  PG-13)
49
The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring 2001,  PG-13)
50
To Die For 1995,  R)
51
A Clockwork Orange 1971,  R)
52
La Stanza del Figlio (The Son's Room) 2001,  R)
53
My Left Foot 1989,  R)
54
Snatch 2001,  R)
55
Kill Bill, Volume 2 2004,  R)
56
Billy Elliot 2001,  R)
57
Kill Bill: Volume 1 2003,  R)
58
Elephant 2003,  R)
59
Apocalypse Now 1979,  R)
60
American History X 1998,  R)
American History X
O filme é assustadoramente verossímil e não tem o menor pudor de dissecar um dos temas mais controvertidos na sociedade americana: o racismo. O roteiro aborda a questão do revanchismo cíclico e quase irracional, devidamente disfarçado de relação causal pelos personagens numa tentativa de justificar tanta brutalidade. Comandando o excelente elenco, vem o Edward Norton em uma de suas melhores (ou a melhor, talvez) atuações.
61
Requiem for a Dream 2000,  R)
Requiem for a Dream
O filme só perde meia estrela por cair, vez ou outra, na armadilha de ser politicamente correto demais. Acho desnecessária a panfletagem anti-drogas. Se o filme não fosse tão bom, daria pra achar que se trata de campanha "muderna" do Ministério da Saúde.
62
Punch-Drunk Love 2002,  R)
63
Bad Education (La Mala educación) 2004,  NC-17)
Bad Education (La Mala educación)
É o filho do Almodóvar com o Lynch.
64
Lost Highway 1997,  R)
65
Casino 1995,  R)
66
Far From Heaven 2002,  PG-13)
67
Muriel's Wedding 1994,  R)
68
There's Something About Mary 1998,  R)
There's Something About Mary
O humor negro grita. Nunca ri tanto na minha vida num filme.
69
Raging Bull 1980,  R)
70
The Talented Mr. Ripley 1999,  R)
The Talented Mr. Ripley
A inveja do Ripley pelo personagem do Jude Law é uma das coisas mais justificáveis do mundo.

E a fotografia é uma das minhas preferidas ever.
71
Short Cuts 1993,  R)
72
Seven (Se7en) 1995,  R)
73
Last Days 2005,  R)
Last Days
Infelizmente, eu ainda não assisti a "Paranoid Park", o que faz com que "Last Days" seja o filme mais contemplativo do Van Sant a que eu já assisti. Se essa característica se fazia presente em todos os seus outros filmes de uma forma mais ou menos intensa, aqui ela é ponto de partida. Eu iria além: acho que, para tentar apreciar o filme, é necessário que se saiba isso de antemão e, obviamente, se esteja disposto a uma viagem nada ordinária. Já ciente disso e num dia de pouco sono, dá para apreciar as muitas qualidades do filme.

A trama (?) gira em torno do rock star Blake, personagem do Michael Pitt, que emula o Kurt Cobain, e o seu processo angustiante de deteriorização. À medida que a história vai sendo contada, o personagem vai entrando num processo de escapismo em mão única. O silêncio e o grau de abstração, aliados a essa angústia, chegam a causar grande desconforto em diversos momentos do filme. Fica a sensação de que há duas texturas no filme: uma externa, onde o tédio se manifesta; e outra interna, em que os sentimentos de inadequação, fraqueza, solidão e falta de perspectivas geram aquela desapego com a vida.

A superficial quietude do filme chega a níveis absurdos, em que parece que o diretor esqueceu a câmera ligada em uma paisagem aleatória e mal iluminada. O mesmo ocorre com relação a alguns takes bem compridos de papos aparentemente (ou não) dispensáveis, em que a câmera mal se move ou fica realmente estática.

O grande barato do filme é conseguir notar as sutilezas daquele cotidiano de derrota e a poesia dessa tristeza toda. A cena em que o Blake toca bateria e a câmera vai lentamente se afastando é linda e simples. Outro grande momento é o monólogo travado entre o silencioso Blake e seu amigo, que tenta, em vão, conversar sobre uma composição. O tal amigo se frustra e deixa o Blake sozinho. A partir desse momento, o "Cobain" se sente um pouco menos desconfortável e começa a tocar uma música beeeem Nirvana: obscura, triste e balbuciada.

Como eu disse antes, não se trata de um filme para se ver todos os dias ou para virar um campeão de audiência da Sessão da Tarde. É um filme quieto, pretensioso, contemplativo e - por que não? - entediante em diversos momentos.
74
Donnie Darko 2001,  R)
75
The Others 2001,  PG-13)
The Others
O filme tem um final tão surpreendente quanto "Sexto Sentido", mas não fica apena nisso: é tenso, sombrio e claustrofóbico do início ao fim.
76
Shine 1996,  PG-13)
77
The Crucible 1996,  PG-13)
78
Lost In Translation 2003,  R)
Lost In Translation
Trata perfeitamente da questão da inadequação e da solidão na multidão.

O maior aspecto positivo talvez seja o fato de o filme nunca vulgarizar a relação entre os dois protagonistas. É espantoso que isso nunca chegue próximo de ocorrer.
79
Thelma & Louise 1991,  R)
80
Eternal Sunshine Of The Spotless Mind 2004,  R)
Eternal Sunshine Of The Spotless Mind
Tem um jeito romântico-freak que eu amo.
81
Forrest Gump 1994,  PG-13)
82
Match Point 2005,  R)
Match Point
Tiver que dar o braço a torcer pro Woody Allen dessa vez.

Adorei a coroação da maldade.
83
Swimming Pool 2003,  R)
84
The Royal Tenenbaums 2002,  R)
85
The Shining 1980,  R)
86
The Beach 2000,  R)
87
Rain Man 1988,  R)
88
The Witches of Eastwick 1987,  R)
89
Hable con Ella (Talk to Her) 2002,  R)
Hable con Ella (Talk to Her)
Saí do cinema muito confuso com relação aos meus conceitos de pureza e sujeira.
90
Volver 2006,  R)
91
Lock, Stock and Two Smoking Barrels 1999,  R)
92
The Life of David Gale 2003,  R)
93
The Elephant Man 1980,  PG)
94
All About My Mother (Todo Sobre Mi Madre) 1999,  R)
95
Almost Famous 2000,  R)
Almost Famous
O filme termina com todo mundo leve e alegre. E louco pra ouvir "Tiny dancer" na estrada com um grupo de amigos.
96
Death in Venice 1971,  PG)
Death in Venice
Se, em "Lolita", o amor platônico do homem de meia-idade pela menina que dá nome ao filme tem caráter sexual, aqui, em "Morte em Veneza", a obsessão do personagem do Bogarde pelo garoto Tadzio é de natureza ambígua, denotando um apreço pela perfeição estética como auge artístico.

O filme narra a estada de Gustav, personagem do D. Bogarde, por Veneza, numa tentativa de relaxar após alguns eventos estressantes em sua carreira como músico.

Em vez de conseguir encontrar a calmaria, Gustav se vê obcecado pela figura de Tadzio, um garoto na puberdade que se encontra com sua família no mesmo hotel em que se hospeda o protagonista.

A atração pela beleza do menino cresce de forma incontrolável, de forma a assombrar Gustav, que tenta evitar esses sentimentos.

Ao mesmo tempo, como que numa relação apocalíptica e moralista de crime e castigo, a cidade de Veneza vai sendo infestada por uma peste mortal.

O mais impressionante no filme é, sem dúvidas, a forma contemplativa e poética como tudo é retratado. A narrativa, a partir do personagem do Bogarde, é quase silenciosa, agonizante e permeada por uma trilha perfeita. O protagonista parece tão irradiado pela beleza do Tadzio, que não se sabe ao certo se o menino corresponde levemente aos olhares ou se é apenas uma visão corrompida da realidade.

Assim como em "Fale com Ela", "Morte em Veneza" tem como grande trunfo a confusão moral e visual que deixa no ar a respeito da pureza dos sentimentos retratados.
97
Adaptation 2002,  R)
Adaptation
"Adaptação" é um dos filmes mais complexos que lembro de ter assistido. Não que seja um filme "difícil" ou "cabeça", longe disso.

Aliás, esse parece justamente o dilema do fictício roteiro metalingüístico: ser ou não um filme hollywoodiano. Isso fica bem claro no personagem-projeção de gêmeo do próprio Charlie Kaufman, um alter-ego menos denso e mais moldado pela indústria de cinema.

A trama, como não poderia deixar de ser - em se tratando do nome por trás do roteiro -, é estruturada em diversas camadas e realidades que se sobrepõem e se confundem, pautadas pela dificuldade do (personagem?) roteirista em fazer seu ofício.

No fim das contas (olha o spoiler...), percebemos que todos fazem concessões na vida, e que a originalidade e a novidade estão na forma de ver as coisas e não nelas em si.

Ah, sim, caso não tenha ficado claro, é um filmaço: o melhor do Spike Jonze (diretor) e o único que presta estrelado pelo aqui brilhante Nicolas Cage desde o xarópico "Cidade dos Anjos".
98
Pretty Woman 1990,  R)
99
Atonement 2007,  R)
Atonement
A despeito do spoiler causado pelo título em português, "Atonement" é um grande filme, em todos os sentidos.

A começar, ótimo pela forma narrativa eficaz e rápida, sob diferentes perspectivas e usando dos flashbacks sempre com algum propósito e, principalmente, sem tentar soar moderno ou original. Não sei se essa modalidade narrativa já existe no romance, mas fato é que funciona muito bem na adaptação para o cinema.

A fotografia do filme também merece ser ressaltada. Os cenários são lindos e os enquadramentos idem. Os figurinos e toda reconstrução de época dão o tom exato para cada fase do filme.

Outro trunfo do filme é o elenco, todo bem entrosado. O casal protagonista tem química e funciona muito bem. O personagem do James McAvoy, especificamente, aparece sempre muito bem, com sua habilidade em demonstrar a transição de um jovem cativante e otimista para um cara amargurado e sofrido. Já a Keira Knightley é sutil, charmosa, sensual, apaixonada e inocente na medida certa para o papel.

O destaque maior do filme não vai pra um ator ou atriz apenas; vai pro personagem Briony, interpretado com o mesmo brilho pelas diferentes atrizes nas três fases do filme.

Bem curioso é o fato de que o miolo do roteiro tem um quê de "O Caçador de Pipas" (último filme que eu havia visto): um(a) jovem escritor(a) comete um erro na infância que vai persegui-lo(a) por sua vida inteira. Apesar das terríveis conseqüências, em ambos os filmes há uma chance de reparar o ocorrido.

Como "reparar", entenda-se de forma beeem ampla. Nada que diminua o êxito dos filmes, claro. Muito pelo contrário: a impressão que fica, principalmente em "Atonement", é de que a culpa que persegue a pessoa que cometeu o erro já bastaria para a expiação. Em "O Caçador de Pipas", o mesmo não ocorre. Aqui, fiquei bastante sensibilizado pela situação da Briony, já que, mal ou bem, acho que o casal protagonista teve um final mais digno.

Ah, sim, levem lenços!
100
Vanilla Sky 2001,  R)
Vanilla Sky
A trilha é foda (tem Buckley!), e o filme ia muito bem, obrigado, até o final. Sério, o que foi aquela explicação, pe-pessoal?
101
Kalifornia 1993,  R)
102
Cache (Hidden) 2005,  R)
Cache (Hidden)
"Caché" é bem mais do que um mero filme de suspense sobre espionagem residencial. Até porque esse tema já tinha sido incidentalmente tratado pelo estranho (e ótimo) "Lost Highway".

Mais do que a tensão de sentir sua intimidade filmada, a família protagonista se sente ameaçada por algumas conseqüências originalmente não imaginadas.

As fitas fazem com que os personagens reencontrem e reavaliem histórias antigas até então esquecidas ou evitadas.

As gravações também causam desconforto ao mostrar os personagens ações que eles escondiam uns dos outros, afetando, assim, a estrutura da confiança familiar.

A mais séria conseqüência da exposição desses cotidianos - e a maior qualidade do filme - é, no entanto, o embate que os personagens têm com suas próprias ações. Eles são confrontados com seus lados sombrios, causando desconfiança em si mesmos - e não só ao espectador - sobre caráter e integridade.
103
Gosford Park 2001,  R)
104
Good Will Hunting 1997,  R)
105
Bram Stoker's Dracula 1992,  R)
106
Dear Wendy 2005,  Unrated)
Dear Wendy
Ao lado de "Elefante" (Gus Van Sant), "Dear Wendy" é uma porrada na relação de fascínio da juventude americana com a questão das armas de fogo.

As metáforas estão todas presentes: a arma é comprada numa loja como se fosse um brinquedo; a relação entre o dono e sua arma é íntima e beira o romantismo; e, claro, existe o pacto de que as armas não serão jamais utilizadas, pois servem apenas para dar força a seus portadores, que se dizem pacifistas.

A forma como a história vai se construindo é perfeita, pois tudo se encaixa e prende a atenção por todo o filme. A idéia inicial é justamente fazer com que nasça uma empatia entre o espectador e os protagonistas, de modo que nos analisemos a fim de imaginar se precisaríamos de (ou se, pelo menos gostaríamos de ter) uma arma naquelas circunstâncias.

Outro grande trunfo é a forma sutil como o Vinterberg demonstra a ciência dos personagens sobre o perigo que as armas representam. É aquele velho caso de saber uma coisa, mas deixá-la bem no fundo, guardada, pois a verdade seria muito dolorosa e decepcionante. Essa noção serve perfeitamente como metáfora para a idéia de portar armas julgando ter intenção de não utilizá-las. A idéia de matar alguém é tão próxima, que, para evitar a tentação (a arma foi feita para isso, frisa o filme), troca-se a palavra "killing" por "loving". Isso foi um spoiler?
107
The Bubble (Ha Buah) 2006,  Unrated)
The Bubble (Ha Buah)
O retrato do universo gay estritamente bélico e israelense feito pelo diretor Eytan Fox em "Yossi and Jagger" dá lugar a uma temática mais ampla e social em "The Bubble", que aborda as relações conturbadas entre judeus e árabes a partir do relacionamento entre o judeu Noam e o árabe Ashraf.

Não é só essa a mudança: ao contrário do filme anterior, "The Bubble" vai construindo bem mais lentamente e de forma bastante delicada o cenário opressor do Oriente Médio. � impressionante como é acertada a condução da trama, alternando perfeitamente momentos intimistas com sociais. Essa constante oposição dos mundos particular e universal é a perfeita metáfora para a realidade em que se encontram os moradores da isolada e pacífica Tel Aviv, uma das "bolhas" de que trata o filme.

As demais "bolhas" ficam nas entrelinhas e provavelmente não serão captadas por todo mundo, mas são, para mim, o ápice do filme. Trata-se do confronto dos personagens com as diversas realidades existentes dentro deles mesmos: a família a que pertencem, a religião em que crêem (?), os amigos que têm, os preconceitos... Tudo isso entra em choque a todo momento - de forma bem velada em alguns momentos, levando os personagens a uma jihad interior e a questionamentos sobre a própria identidade. � fantástica e assustadora a forma como é retratada a relação do árabe gay com as tradições muculmanas. O limite entre a bolha pessoal em que cada um vive e a bolha social, por mais isolada e peculiar que essa segunda seja, é muito rico, e a sinergia entre elas é muito mais intensa do que os personagens gostariam que fosse, mostra o filme.

No fim das contas, fica um gostinho de "Brokeback Mountain", "Pontes de Madison" e "Fim de Caso"; o que é diametralmente oposto a ser ruim, mas é triste que dói.
108
There Will Be Blood 2007,  R)
109
El Nido Vacío (Empty Nest) 2008,  Unrated)
110
(500) Days of Summer 2009,  PG-13)
(500) Days of Summer
"500" é tão impactante e envolvente, que, para mim, as pessoas agora se dividem em tom's e summer's.

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